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Ponte Plural Entrevista: El Efecto

Começamos 2016 com a décima primeira edição da série #IlustraMúsica, em parceria com a Pocketscomics! A banda entrevistada dessa vez é a carioca El Efecto, cujas letras cantam política, questões e patologias sociais, as cirandas sem fim, ou chamam a simplicidade e a beleza do silêncio. O quinteto conta sobre o formato de guerrilha para shows acústicos, articulação de shows no exterior, organização de produtos de merchandising e o engajamento político de suas letras. A canção que inspirou o ilustrador Renato Lima na arte abaixo foi “Ciranda”, do álbum “A Cantiga é uma Arma”.


ILUSTRA EL EFECTO2

Com o álbum “A Cantiga é uma Arma” a banda estruturou um formato “de guerilha” para shows acústicos, em que pode realizar apresentações sem depender de uma grande infraestrutura. Esse formato tem colaborado para impulsionar a agenda de shows e manter uma aproximação com o público?

Uma grande motivação pra criarmos essa frente foi a de aumentarmos o diálogo com iniciativas de luta, a partir da participação em eventos ligados à movimentos sociais. Isso tem acontecido. Recentemente, por exemplo, graças a essa formação, tivemos a oportunidade de chegar junto no apoio à luta dos estudantes de SP, nos apresentando em duas escolas ocupadas. Isso é algo bastante importante pra gente, pois fortalece o nosso propósito, que é marcadamente político. Também há um interesse da nossa parte em explorar outro tipo de sonoridade, de possibilidades de arranjo, instrumentação, etc. Essa pegada menos “rockeira” também aproxima outro tipo de público e aumenta nossas possibilidades de interlocução. Acho que  esses dois aspectos, somados, fortalecem o sentido da banda como um todo, ampliando as esferas políticas e também estéticas. Penso que isso amplifica a coerência do projeto. Mas ainda consideramos a formação elétrica o foco principal.

A El Efecto é uma das bandas cariocas que mais se posiciona politicamente. Isso inclui não só letras com importantes críticas, mas também o envolvimento com movimentos sociais. Como tem sido a resposta do público nesse momento de polarização política?

Talvez o único aspecto mais novo do atual momento político seja o fato dos discursos conservadores, de extrema direita e até fascistas, terem “saído do armário”, passado a se colocar de maneira explícita e ganhado espaço na opinião pública. Mas ainda não esbarramos com reações vindas desse campo não. Por outro lado, seguimos tendo retorno de  pessoas, grupos e movimentos identificados com diversas bandeiras da esquerda e é isso que nos mobiliza a seguir acreditando na música também como uma forma de militância. Esse diálogo é fundamental pra nossa formação política, pois não nos deixa esquecer que, por trás de tudo, seguem atuando as mesmas polarizações de sempre, a da luta de classes e a das demais formas de opressão. Contra elas é que nos levantamos.

Muitas bandas têm investido na circulação internacional. Que dicas a El Efecto pode dar com a experiência na organização e divulgação de shows na Europa?

Tivemos um convite para uma apresentação em Portugal e, a partir daí, fizemos um levantamento de outros possíveis espaços, entramos em contato por email e enviamos nosso material, junto com um release específico sobre o projeto da viagem. Fizemos também um levantamento de contatos de imprensa locais e blogs pra divulgação. De acordo com o retorno que tivemos, montamos um itinerário. Foi importante traçarmos todas as rotas previamente e pesquisar quais eram as formas mais baratas e viáveis de se locomover entre as cidades. Acabamos passando por Portugal e pelo sul da Espanha. Nesse processo, contamos muito com a ajuda de amigos e amigos de amigos, para os contatos, hospedagem e até organização de apresentações. As experiências foram das mais variadas, casas de show, festival, apresentação na rua e até em bares.  A alternativa da “formação de guerrilha” também foi fundamental, pois nem todos os espaços ofereciam estrutura pra nossa formação habitual.  Enfim, foi tudo feito com bastante organização e raça. Mas é importante registrar que a viagem foi muito mais um investimento nosso, com um objetivo de abrir portas e de vivenciar a experiência em si, do que um negócio financeiramente vantajoso.

A banquinha com os CDs e camisetas da banda está sempre movimentada. Investir na comercialização de produtos de merchandising tem colaborado para bancar os custos de circulação da banda? Como vocês organizam a administração da loja?

A venda de cds e camisas é a principal fonte do nosso “fundo”. Através dela bancamos a reprodução desses materiais e o resto vai formando um caixa pra eventuais gastos da banda. No momento, o foco principal dessa arrecadação que vamos fazendo pouco a pouco está destinado à gravação do próximo disco, que esperamos começar no primeiro semestre de 2016. A banquinha é importante também por propiciar encontros e aproximar a banda do pessoal que se identifica. Como nós todos estamos sempre ali, junto com o Iuri, nosso sexto elemento, a hora de vender o material acaba sendo um momento de trocar contatos, ideias, etc. Uma coisa que parece aproximar a galera é o fato de vendermos os cds na base da “economia solidária”. Paga-se o quanto quiser/puder, a partir de um preço mínimo de R$5. Nossa ideia é fazer o disco circular ao máximo e o pessoal parece valorizar isso, pois muitas vezes colaboram com mais, mesmo sabendo que tudo pode ser baixado de graça na internet.  Outro fator recente que deu um gás na banquinha foi a aquisição de uma maquininha de cartão.
Atualmente, só estamos com nossos materiais, mas buscamos também agregar materiais de parceiros. Já tivemos na banquinha exemplares da revista Vírus Planetário, camisas de movimentos sociais e materiais de divulgação variados.

Além da banquinha nos shows, temos também uma parte de discos e camisas em estoque para vendermos pela banquinha virtual. Usamos como base para ela um app chamado Likestore, que dá uma estrutura já pronta de loja virtual no Facebook (mesmo para não-usuários), facilitando os meios de pagamento, cálculo de fretes, etc..

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